Quem põe ponto final numa paixão com o ódio, ou ainda ama, ou não consegue deixar de sofrer.Ovídio
Esforçamo-nos sempre para alcançar o proibido e desejamos o que nos é negado.Ovídio
Sê amável para ser amado.Ovídio
Quem aceitou um beijo e não aceita tudo, merece perder aquilo que recebeu.Ovídio
Se eu pudesse, seria mais sensata; mas uma força nova / arrasta-me contra a minha vontade, e o desejo / atrai-me a uma direção, e a razão, a outra: / vejo e aprovo o melhor, mas sigo o pior.Ovídio
sexta-feira, 24 de Abril de 2009
quarta-feira, 22 de Abril de 2009
CONSELHOS ÚTEIS
1. Não te agarres aos bens materiais, doutro modo não tens como preservar a liberdade. Testa-te a ti mesmo: ao partilhar algo valioso com alguém veja se és capaz de permitir que o outro leve a maior porção sem que a dor do arrependimento ou inveja te trespasse o coração.
domingo, 8 de Fevereiro de 2009
A CAMINHADA
Quando noite, melhor é estar a porta. Velho Kimakienda senhor de muitas senhoras e filhos aos monte, insistia em chegar tarde todos os dias. Mulher primeira farta de chamar atenção pelos atrasos não justificados, se era a outra a ocupar ou ser eram problemas a tratar. Vezes e vezes sempre. Até que certo dia vinha habituado da sua caminhada quando avistou a aldeia na distância de um fio de fumo que se soltava de uma fogueira com barulho a distância. Lar! - Pensou consolado da canseira que sentia. Andava acelerando o passo para mais próximo estar e a fogueira diminuia no tamanho com o som a fugir. Estranho! - Pensou. Andava e andava a testar a sua visão e a verdade é que o tamanho diminuia ainda. Andava, mais andava e menos grande era a fogueira até sentir-se tão distante que começou a ganhar medo do escuro do mato. gargalhadas vinham perto como gente estranha a troçar. As hienas têm o mesmo sorriso! - pensou. Mais andava mais se distanciava até sentir o cansaço da insistência. Caiu desesperado com os joelhos na estrada de areia e capim ao meio e assim pode ver a fogueira distante também parada. Nisto uma luz mais pequena e mais próxima que a fogueira, vinha ao seu encontro. Uma luz branca como a do farol de uma bicicleta progredindo no negro do escuro. Teve medo, encheu os pulmões e colocou-se em pé sobre as pernas trémulas para enfrentar o estranho. A luz chegou perto até encandear os olhos que cobria com as mãos a esquivar o feixe de luz a ver o quem a sustentava. A luz apagou, e um rosto sob um corpo gigante sem perna visível fitou acima de quase quatro metros. Percebeu que uma lanterna agarrada pela mão esquerda vinha junto do joelho da estranha figura. Kazumbi!!!! - Gritou tão alto que acordou junto da esposa na cama. Esta acendeu o candeeiro de patróleo. Rápido percebeu que era sonho. Suava e transpirava de aflição quando se lembrou que neste dia tinha chegado, como sempre, muito tarde.
O DESGOSTO DE MAKANDUMBA
MAKANDUMBA senhor de muitos problemas como o nome indica é um tipo insuportável e de trato difícil. Ter esposa foi o maior acontecimento da sua vida num kimbo em que nenhuma mulher queria ter o azar de com ele conviver. E não teria se nos kimbos as mulheres não fossem indicadas a desposar um certo tipo antes mesmo de nascerem. Grito por fazer, grito por não fazer, ralhete por falhar ralhete por acertar. Para tudo um motivo para explodir e para nada mil formas de se impor. Filhos, netos e bisnetos cansados de tanta arrogância e a comunidade habituada ao limite de o suportar.
Certo dia, o conselho de anciões da aldeia, já farto das suas torpes e inoportunas intervenções, decidiu dar-lhe uma valente lição. Com a doença do Soba, nomearam-no chefe interino da aldeia. Começou então a dura jornada que o levaria a ver os problemas dos homens num outro prisma. Manteve a arrogância até ver os súbditos a perderem vontade de o obedecerem. Os problemas agudizavam e as dificuldades desgraçavam a todos. Mais aumentava a arrogância na vã tentativa de controlar os problemas mais os problemas aumentavam. Assim dia após dia, semanas após semanas até que todos decidiram que devia deixar de exercer as funções. O que acabou por acontecer quando o soba recuperou da doença. Este voltou as exercer as suas funções e os problemas resolveram-se todos. Só então Makandumba percebeu que a sua forma de ser era a causa dos problemas que tinha a sua volta. Embora reconhecesse não podia mudar o carácter. Diante do fracasso da sua natureza e ferido o orgulho de homem abandonou, sozinho e sem nada, o kimbo!
Certo dia, o conselho de anciões da aldeia, já farto das suas torpes e inoportunas intervenções, decidiu dar-lhe uma valente lição. Com a doença do Soba, nomearam-no chefe interino da aldeia. Começou então a dura jornada que o levaria a ver os problemas dos homens num outro prisma. Manteve a arrogância até ver os súbditos a perderem vontade de o obedecerem. Os problemas agudizavam e as dificuldades desgraçavam a todos. Mais aumentava a arrogância na vã tentativa de controlar os problemas mais os problemas aumentavam. Assim dia após dia, semanas após semanas até que todos decidiram que devia deixar de exercer as funções. O que acabou por acontecer quando o soba recuperou da doença. Este voltou as exercer as suas funções e os problemas resolveram-se todos. Só então Makandumba percebeu que a sua forma de ser era a causa dos problemas que tinha a sua volta. Embora reconhecesse não podia mudar o carácter. Diante do fracasso da sua natureza e ferido o orgulho de homem abandonou, sozinho e sem nada, o kimbo!
sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009
PUXANDO CAVALO
Puxando Cavalo é um velho limpa fossa que ficou famoso por sobreviver a um forte coice de burro que pelo tamanho foi confundido cavalo pela tontura da dor e atraso mental do mano ao lado. Baixo e curvo, Puxando Cavalo é nome dado pelas crianças que vem do tal azar na juventude mais o esforço que faz e a posição que toma quando puxa latas cheias em fossas entupidas. Famoso entre as crianças, se passa na rua é Puxando Cavalo se visto na igreja ao lado do catequista é Sô Pereira. Velho de anos quase século é forte com muita sorte de não morrer naquele acidente. Goza a vida de kaporroto em kimbombo, de liamba em tabaco, de funji de carne em pirão de lombi, de casaco rasgado em camisola velha, de bicicleta cansada em pés descalços..., é mesmo Puxando Cavalo!
ANA MALUCA
Ana Maluca, menina mulata de corpo doce como nenhum outro que fosse num bairro limitado a delirar por ela cheia de posses. Enloqueceu na crista da morte da mãe faz-tudo que levou tudo que pudesse fazer sustento. Enloqueceu para esconder a vaidade de não mendigar um pão em qualquer vizinho que chamou cão num passado de vida abastada junto de rameiras bastardas criadas pela mãe sacrificada. Naquele tempo, criou o mito de mulher cara que não leva a cara na rua sem um carrão.
Hoje de olhar perdido e espírito aflito, deambula na rua rebolando a mbunda, quando passa diante dos putos da banda. Ninguém mais olha o sujo que cobriu a pele lustra, a palha que misturou o cabelo liso. Passa sem brilho num sonho passado ao embrulho em jovens galanteadores, dantes admiradores, que só gritam de abuso: Ana Maluca!
Hoje de olhar perdido e espírito aflito, deambula na rua rebolando a mbunda, quando passa diante dos putos da banda. Ninguém mais olha o sujo que cobriu a pele lustra, a palha que misturou o cabelo liso. Passa sem brilho num sonho passado ao embrulho em jovens galanteadores, dantes admiradores, que só gritam de abuso: Ana Maluca!
DONA SANTA DO SAMBILA
Dona Santa é o único sinal que resta dos tempos áureo de Santa kambundi. Tempo de boa vida, carne fresca, peixe grosso e má fala aos pobres e longe dos azares e desgraças. Agora mana kambundi, porque se misturou com os que mandava sem dó no calor de senhora mandona, vive a contar os dias de amargura que a morte do marido em dia sem sorte deixou como herança sem única esperânça. Se tinha aquilo, não tinha filhos. A dor que sentia era mesmo só da falta do marido que levou os momentos de riqueza sem deixar mínima que seja. Ter deixado na amargura de raspar o arroz queimado no fundo da panela, de beber água em copos farrusco. A casa foi recebida pelos parentes do marido. Quando pôs o caso no tribunal para reaver a casa, os carros e outras coisas, já tudo tinha desaparecido e com eles os parentes para kimbos diversos nesse mundo sem pena das viúvas. Dizem as más línguas que depois do juíz decidir o que ela merecia já anos tinham passado e a casa construída com sacrificio foi destruída com malefício por parentes que não sabiam como dividir uma única casa, os carros foram queimados por invejosos e os recheios e roupas distribuidos entre sobrinhos, primos, manos, amigos e tios distantes. Ficou assim sozinha a fazer o balanço dos bons tempos aqui na vida amarga sem vontade. O olhar raivoso ficou mendigo e o falar fino virou caxico de fofoqueiras baratas do Sambila. É já vulgar como a vagar de casa em casa, bebendo kimbombo ou atraindo fácil antigos empregados que sonhavam com cobiça a difícil patroa. Era a mandona que virou carona de todos que quizessem andar a toa numa noite a solta sem nada a volta para dar fofoca. Tomava míseros trocos de uma rápida no barro da parede de pau-a-pique de machos também cornos para mais kimbombo. No mundo em volta um mar de insultos, no sonho tosco um rio de saudades e desgostos. É assim Santa Kambundi.
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